Estatísticas cartão de crédito Brasil 2026

Ricardo Laizo
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Dados do Banco Central mostram cartões ativos, transações, saldo, juros, inadimplência e perfil de uso do cartão de crédito no Brasil.

Números-chave das estatísticas cartão de crédito Brasil 2026

As estatísticas cartão de crédito Brasil mostram um produto que já faz parte do orçamento mensal. No 1º trimestre de 2026, o Banco Central registrou 260,8 milhões de cartões de crédito ativos e 615,5 milhões emitidos.

No mesmo trimestre, o cartão de crédito somou 6,06 bilhões de transações e R$ 813,9 bilhões movimentados nas estatísticas de meios de pagamento. Na base detalhada de cartões, com operações nacionais e internacionais, o valor chega a R$ 832,1 bilhões.

Os dados de cartão de crédito Brasil também mostram o lado caro do produto. Em maio de 2026, o saldo total da carteira para pessoas físicas estava em R$ 726,6 bilhões. O rotativo tinha taxa média de 439,87% ao ano e inadimplência de 63,03%. Comparar cartões de crédito sem anuidade ajuda, mas entender juros e fatura ajuda ainda mais.

IndicadorDado mais recenteLeitura prática

Cartões de crédito ativos

260,8 milhões no 1º tri/2026

Muitos brasileiros têm mais de um cartão ativo.

Cartões de crédito emitidos

615,5 milhões no 1º tri/2026

A base emitida inclui cartões sem uso recorrente.

Transações com cartão de crédito

6,06 bilhões no 1º tri/2026

O cartão segue entre os principais instrumentos de pagamento.

Valor movimentado

R$ 813,9 bilhões no 1º tri/2026

O volume trimestral passa de R$ 800 bilhões.

Saldo total em cartão PF

R$ 726,6 bilhões em mai/2026

Mostra o tamanho da carteira de crédito ligada ao cartão.

Juros do rotativo

439,87% a.a. em mai/2026

É uma das modalidades mais caras para o consumidor.

Evolução histórica: o cartão continua crescendo mesmo com Pix forte

O Pix mudou os pagamentos no Brasil, mas não eliminou o cartão de crédito. Pix liquida na hora. Cartão concentra gastos na fatura, permite usar limite, acumular pontos e parcelar compras.

Nas estatísticas trimestrais do Banco Central, o cartão de crédito passou de 5,66 bilhões de transações no 2º trimestre de 2025 para 6,06 bilhões no 1º trimestre de 2026. O valor movimentado saiu de R$ 734,0 bilhões para R$ 813,9 bilhões.

Mais transações não significam que todos estão endividados. A dívida aparece quando há parcelamento de fatura, rotativo ou atraso.

PeríodoTransações com cartão de créditoValor movimentadoComentário

2º tri/2025

5,66 bilhões

R$ 734,0 bilhões

Base trimestral de meios de pagamento do BC.

3º tri/2025

5,86 bilhões

R$ 765,3 bilhões

Crescimento em quantidade e valor.

4º tri/2025

6,14 bilhões

R$ 832,3 bilhões

Trimestre sazonalmente forte por fim de ano.

1º tri/2026

6,06 bilhões

R$ 813,9 bilhões

Leve recuo sazonal, mas acima do 2º tri/2025.

Cartões ativos: crédito é maior que débito e pré-pago

A tabela de estoque e transações de cartões do Banco Central separa crédito, débito e pré-pago. No 1º trimestre de 2026, o crédito tinha 260,8 milhões de cartões ativos, contra 160,5 milhões de cartões de débito ativos e 73,8 milhões de pré-pagos ativos.

Isso não significa que 260 milhões de pessoas tenham cartão. O Relatório de Cidadania Financeira do Banco Central aponta que a média de cartões ativos por usuário supera dois cartões por pessoa.

Na prática, cartões ativos mostram acesso e competição entre emissores. O risco aparece quando o limite vira saldo devedor e a fatura disputa espaço com aluguel, mercado, transporte e outras contas.

Função do cartãoCartões emitidosCartões ativosTransações no 1º tri/2026

Crédito

615,5 milhões

260,8 milhões

6,11 bilhões, incluindo nacionais e internacionais

Débito

610,8 milhões

160,5 milhões

3,97 bilhões

Pré-pago

271,8 milhões

73,8 milhões

2,16 bilhões

Distribuição demográfica: quem mais usa cartão de crédito

A pesquisa Observatório Febraban de julho de 2025 ajuda a enxergar o perfil de uso. O cartão de crédito foi o produto financeiro mais citado, usado por 66% dos entrevistados. A penetração foi maior entre mulheres (68%) do que entre homens (64%) e atingiu 70% na faixa de 25 a 44 anos.

A diferença por renda é grande. Entre pessoas com renda familiar acima de 5 salários mínimos, 84% declararam usar cartão de crédito. Na faixa até 2 salários mínimos, o índice ficou em 53%. Por região, o Sudeste liderou com 70%, seguido do Sul com 65%. O Norte apareceu com 58%.

Esses dados explicam por que o cartão aparece tanto em análises de bancos e fintechs, como Ourocard Fácil e Cartão de crédito Trigg, mas também por que limite e renda precisam ser vistos juntos.

Dívida, juros e inadimplência no cartão de crédito

O maior risco do cartão não está na compra paga em dia. Está no saldo que sobra quando a fatura não fecha. Em maio de 2026, o Banco Central registrou R$ 726,6 bilhões de saldo em cartão de crédito para pessoas físicas. A maior fatia era cartão à vista, com R$ 541,7 bilhões.

A parte pesada aparece nas modalidades com juros. O rotativo tinha R$ 90,4 bilhões de saldo, taxa média de 439,87% ao ano e inadimplência de 63,03%. O parcelamento da fatura tinha R$ 94,4 bilhões, taxa média de 189,55% ao ano e inadimplência de 12,49%.

Esses juros do cartão de crédito explicam por que a análise de crédito pesa tanto. Antes de aumentar limite ou pedir um novo cartão, vale entender como funciona a análise de crédito e olhar o CET quando houver financiamento ou parcelamento com juros.

Modalidade PFSaldo em mai/2026Taxa médiaInadimplência

Cartão à vista

R$ 541,7 bi

Não se aplica como juros de crédito

Não comparável ao rotativo

Cartão parcelado

R$ 94,4 bi

189,55% a.a.

12,49%

Cartão rotativo

R$ 90,4 bi

439,87% a.a.

63,03%

Cartão total

R$ 726,6 bi

96,57% a.a.

9,47%

Comparação com América Latina e média global

O Brasil é um caso forte de cartão dentro de mercados emergentes. O Global Findex 2025, do Banco Mundial, informa que apenas 15% dos adultos em economias em desenvolvimento usaram cartão de crédito nos últimos 12 meses, com exceções importantes, incluindo Brasil e Argentina.

A comparação internacional precisa de cautela. O Findex usa pesquisa com adultos. O Banco Central brasileiro mede dados administrativos enviados por instituições. Por isso, 260,8 milhões de cartões ativos não devem ser lidos como 260,8 milhões de usuários.

Mesmo assim, a fotografia é clara: no Brasil, o cartão é comum no dia a dia, mas perigoso quando vira financiamento caro.

Comportamento do consumidor: praticidade, limite e parcelamento

O uso do cartão de crédito no Brasil se apoia em prazo para pagar, parcelamento e organização da fatura. Pago no vencimento, pode ajudar no controle; usado para fechar o mês, vira crédito caro.

O Relatório de Cidadania Financeira 2025 mostra que usuários com renda inferior a 20 salários mínimos comprometeram, em média, 54% da renda com gastos totais no cartão no 2º semestre de 2024. As compras à vista representaram 31,0 pontos percentuais, o parcelado sem juros 16,7 pontos e dívidas com juros 6,3 pontos.

Mulheres, jovens, pessoas no CadÚnico e moradores do Nordeste ficaram acima da média nacional nas dívidas com juros. Por isso, análises como Banco Pan ou Azul Platinum devem ser lidas junto com custo real e risco de atraso.

Tendências para o setor de cartões no Brasil

A primeira tendência é a convivência entre Pix e cartão. Pix deve seguir forte em transferências e pagamentos instantâneos. Cartão continua relevante em compras parceladas, assinaturas, viagens, e-commerce e recompensas.

A segunda é mais transparência na fatura. O Banco Central já tratou o cartão como tema de regulação comportamental, pois muitos consumidores confundem pagamento total, parcial, parcelamento e rotativo.

A terceira é limite mais seletivo. Com inadimplência alta no rotativo, emissores tendem a calibrar score, renda e histórico de pagamento. Para o consumidor, a pergunta central é: quanto da renda já está comprometida antes da próxima fatura?

Metodologia e fontes dos dados

Esta página usa dados públicos consultados em julho de 2026. Cartões ativos, emitidos, transações e valor movimentado vêm das Estatísticas de Meios de Pagamentos do Banco Central. Saldos, juros e inadimplência vêm das séries SGS do Banco Central para cartão de crédito de pessoas físicas.

Para perfil de uso, usamos o Observatório Febraban de julho de 2025 e o Relatório de Cidadania Financeira 2025 do Banco Central. Para inadimplência por idade, usamos a Serasa; para comparação internacional, o Global Findex 2025 do Banco Mundial.

Os saldos do Banco Central são publicados em milhões de reais e aqui foram arredondados para bilhões.

Perguntas frequentes sobre estatísticas de cartão de crédito no Brasil

Quantos cartões de crédito ativos existem no Brasil?

No 1º trimestre de 2026, o Banco Central registrou 260,8 milhões de cartões de crédito ativos. Esse número não significa 260,8 milhões de pessoas, porque um mesmo usuário pode ter mais de um cartão.

Qual é o valor movimentado por cartão de crédito no Brasil?

Nas estatísticas trimestrais de meios de pagamento do Banco Central, o cartão de crédito movimentou R$ 813,9 bilhões no 1º trimestre de 2026. Na base detalhada de cartões, incluindo operações nacionais e internacionais, o valor foi de R$ 832,1 bilhões.

Qual é a taxa de juros do cartão rotativo?

Em maio de 2026, a taxa média do cartão de crédito rotativo para pessoas físicas era de 439,87% ao ano, segundo o Banco Central. A taxa mensal média era de 15,09%.

A dívida do cartão pode passar do dobro do valor original?

Desde 3 de janeiro de 2024, novas dívidas no rotativo e no parcelamento da fatura têm juros e encargos limitados a 100% do valor original. O IOF pode ser cobrado à parte.

Cartão de crédito é sempre ruim para o orçamento?

Não. Quando a fatura é paga integralmente no vencimento, o cartão pode ser apenas um meio de pagamento. O problema começa quando o consumidor financia a fatura, entra no rotativo ou parcela com juros sem comparar o CET.

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