Ações de defesa: 6 empresas para analisar

7 min de leituraNós aderimos

Conheça seis ações de defesa com dados oficiais, riscos específicos e formas de acesso pela B3 ou pelo mercado internacional.

Ações de defesa: 6 empresas para analisar

As ações de defesa desta lista dão exposição a aeronaves militares, defesa aérea, mísseis, submarinos, comunicações, sensores e sistemas espaciais. São empresas estrangeiras com contratos de longo prazo, mas sujeitas a custos de produção, decisões orçamentárias, falhas técnicas e riscos próprios de cada programa.

Para o investidor brasileiro, a escolha também envolve a forma de acesso. É possível negociar BDRs na B3 ou comprar as ações diretamente no exterior, conforme a oferta da corretora. Antes de decidir, vale comparar corretoras e entender que um BDR é um certificado negociado no Brasil, não a ação estrangeira mantida diretamente em seu nome.

Como selecionamos estas ações de defesa

A seleção considera seis companhias com exposição material e identificável à defesa, dados oficiais do exercício fiscal de 2025, BDR confirmado na B3 e riscos que podem ser analisados separadamente. Não usamos retorno passado, preço-alvo ou tamanho da cotação como critério. A lista inclui fabricantes especializados e grupos diversificados, pois pesquisar ações de empresas de armas exige distinguir receita de defesa, aviação civil, espaço, tecnologia e serviços. A ordem serve para organizar a análise, não representa um ranking de recomendação.

1. Lockheed Martin, NYSE: LMT

Exposição: a Lockheed Martin atua no F-35 e no F-22, nos sistemas PAC-3 e THAAD, em helicópteros Sikorsky e em programas navais e espaciais. A Aeronautics respondeu por US$ 30,257 bilhões das vendas do exercício fiscal de 2025.

Evidência atual: a companhia informou vendas de US$ 75,0 bilhões em 2025, crescimento de 6%, e carteira de pedidos de US$ 193,6 bilhões. O maior volume do F-35 acrescentou US$ 1,9 bilhão em relação a 2024.

Risco específico: contratos de preço fixo podem transformar atrasos e custos adicionais em perdas da própria empresa. Em 2025, a Lockheed registrou perda futura estimada de US$ 950 milhões em um contrato classificado da Aeronautics e efeito desfavorável de US$ 140 milhões no C-130.

Acesso no Brasil: a ação LMT é negociada na New York Stock Exchange, a NYSE. Na B3, o BDR é LMTB34, ISIN BRLMTBBDR009. O BDR representa um certificado lastreado no ativo estrangeiro. Antes da ordem, consulte o livro de ofertas, o spread e o volume disponível, sem presumir que a liquidez seja igual à do mercado dos Estados Unidos.

2. RTX, NYSE: RTX

Exposição: a RTX reúne a Raytheon, com defesa aérea, defesa antimíssil e mísseis, a Pratt & Whitney, fabricante de motores, e a Collins Aerospace. Portanto, a companhia participa do tema, mas não é uma empresa exclusivamente de defesa: aviação comercial também influencia vendas, carteira e riscos.

Evidência atual: a RTX reportou vendas de US$ 88,6 bilhões no exercício fiscal de 2025, alta de 10%. A carteira chegou a US$ 268 bilhões, dividida entre US$ 161 bilhões no segmento comercial e US$ 107 bilhões em defesa.

Risco específico: o defeito relacionado ao metal em pó dos motores GTF exige inspeções e medidas de remediação. A análise deve considerar custos, indenizações a clientes, disponibilidade das aeronaves, litígios e questões regulatórias associadas ao programa.

Acesso no Brasil: a ação RTX é negociada na NYSE. O BDR disponível na B3 é RYTT34, ISIN BRRYTTBDR003. Como a empresa combina defesa e aviação civil, o investidor deve acompanhar os dois ciclos. Também precisa verificar spread e profundidade do BDR no momento da negociação.

3. Northrop Grumman, NYSE: NOC

Exposição: a Northrop Grumman participa do bombardeiro B-21, de mísseis estratégicos, de sistemas espaciais e de soluções de missão. Essa combinação oferece exposição a programas de alta complexidade, com contratos extensos e grande dependência do governo dos Estados Unidos.

Evidência atual: nos resultados oficiais, a companhia registrou vendas de US$ 42 bilhões no exercício fiscal de 2025, crescimento de 2%, carteira de US$ 95,7 bilhões e fluxo de caixa operacional próximo de US$ 4,8 bilhões.

Risco específico: a fase inicial de produção do B-21 inclui contratos de preço fixo. Em 2025, a empresa reconheceu encargo antes de impostos de US$ 477 milhões no programa, relacionado a custos maiores de fabricação e materiais. Novas revisões de custo podem afetar margens mesmo com uma carteira elevada.

Acesso no Brasil: a ação NOC é negociada na NYSE. Na B3, o BDR é NOCG34, ISIN BRNOCGBDR006, em programa com proporção de cinco BDRs para uma ação. Essa proporção não elimina exposição cambial, risco da empresa nem diferenças de liquidez e spread.

4. General Dynamics, NYSE: GD

Exposição: a General Dynamics reúne submarinos das classes Virginia e Columbia, veículos Abrams e Stryker, munições, tecnologia para governos e jatos executivos Gulfstream. A diversificação reduz a dependência de um único produto, mas adiciona riscos próprios da aviação executiva e de programas navais complexos.

Evidência atual: a companhia divulgou receita de US$ 52,6 bilhões no exercício fiscal de 2025, aumento de 10,1%, lucro líquido de US$ 4,2 bilhões e carteira de pedidos de US$ 118 bilhões. O valor contratual total estimado chegou a US$ 179 bilhões.

Risco específico: contratos governamentais complexos podem sofrer pressão de custos, cronograma, mão de obra e cadeia de suprimentos. Na Gulfstream, demanda por aviação executiva, ritmo de entregas e certificação de aeronaves também influenciam os resultados.

Acesso no Brasil: a ação GD é negociada na NYSE, enquanto o BDR na B3 é GDBR34. O investidor deve conferir se sua corretora oferece o certificado e comparar o spread com a alternativa de acesso direto ao exterior. A diversificação da empresa não transforma o papel em uma aposta exclusiva em defesa.

5. L3Harris Technologies, NYSE: LHX

Exposição: a L3Harris fornece comunicações táticas, inteligência, vigilância e reconhecimento, guerra eletrônica, sensores e sistemas de propulsão Aerojet. O portfólio combina equipamentos, componentes e soluções integradas usados em diferentes plataformas militares.

Evidência atual: a empresa reportou receita de US$ 21,865 bilhões no exercício fiscal de 2025, alta de 3%, ou 5% em base orgânica. Os pedidos somaram US$ 27,5 bilhões, a carteira alcançou US$ 38,7 bilhões e a receita da Aerojet cresceu 10%, para US$ 2,845 bilhões.

Risco específico: contratos de preço fixo e concentração em clientes governamentais podem pressionar margens. Na Aerojet, a margem GAAP ficou em 9,5%, queda de 240 pontos-base, e o período incluiu redução contábil do ágio. O crescimento da receita não deve ser analisado sem esses efeitos.

Acesso no Brasil: a ação LHX é negociada na NYSE. Na B3, o BDR é LILY34, ISIN BRLILYBDR006. O código do certificado não replica o ticker americano, por isso convém confirmar nome, emissor do programa, spread e quantidade antes de enviar a ordem.

6. Boeing, NYSE: BA

Exposição: a Boeing Defense, Space & Security participa do KC-46, dos helicópteros Apache e Chinook, do P-8, do T-7 e de satélites. A Boeing não é uma empresa exclusivamente de defesa. A aviação comercial representa parte dominante da carteira total e pode ter peso maior sobre resultados, caixa e percepção de risco.

Evidência atual: ao fim do exercício fiscal de 2025, a carteira do segmento de defesa era de US$ 84,786 bilhões. No quarto trimestre, a divisão teve receita de US$ 7,4 bilhões e margem operacional negativa de 6,8%, segundo os resultados da Boeing.

Risco específico: o trimestre incluiu US$ 0,6 bilhão em perdas do KC-46. Contratos de preço fixo, certificação de aeronaves, qualidade de produção e endividamento são fatores centrais. Uma carteira alta não impede perdas quando o custo para cumprir o contrato supera a estimativa original.

Acesso no Brasil: a ação BA é negociada na NYSE. O BDR na B3 é BOEI34, ISIN BRBOEIBDR003. O certificado permite negociação local, mas continua exposto à empresa, ao mercado de origem e ao câmbio. Avalie também spread e liquidez disponíveis no pregão.

Comparação das seis empresas

A tabela resume a exposição operacional e o principal ponto de atenção. Os números são do exercício fiscal de 2025 e não substituem a leitura dos documentos oficiais.

EmpresaAção / BDREvidência oficial de 2025Risco em destaque
Lockheed MartinLMT / LMTB34Vendas de US$ 75,0 bi; carteira de US$ 193,6 biPerdas em contratos de preço fixo
RTXRTX / RYTT34Vendas de US$ 88,6 bi; carteira de US$ 268 biRemediação dos motores GTF e exposição comercial
Northrop GrummanNOC / NOCG34Vendas de US$ 42 bi; carteira de US$ 95,7 biCustos do B-21
General DynamicsGD / GDBR34Receita de US$ 52,6 bi; carteira de US$ 118 biExecução de programas e ciclo da Gulfstream
L3Harris TechnologiesLHX / LILY34Receita de US$ 21,865 bi; carteira de US$ 38,7 biMargens, contratos fixos e concentração de clientes
BoeingBA / BOEI34Carteira de defesa de US$ 84,786 biPerdas recorrentes em programas e riscos da aviação comercial

Como avaliar ações de defesa

Separe carteira de pedidos de receita reconhecida. A carteira sinaliza demanda futura, mas contratos podem ser adiados ou executados com margem menor. Verifique também quanto do negócio vem de defesa e quanto depende de aviação civil, espaço ou serviços comerciais.

Leia os resultados por programa. F-35, GTF, B-21, submarinos, Aerojet e KC-46 têm riscos diferentes. Nos contratos de preço fixo, a empresa pode absorver aumentos de materiais, mão de obra e retrabalho.

Compare caixa, dívida e concentração em clientes públicos. Veja ainda ações de tecnologia, ações de energia solar e ações de dividendos para não confundir temas diferentes. Cotação baixa também não significa desconto: o guia de ações baratas explica a diferença entre preço e valor.

Como comprar ações de defesa no Brasil

Segundo a B3, o BDR é um certificado emitido no Brasil e lastreado em valor mobiliário estrangeiro. Ele é negociado em reais, mas não remove os riscos de câmbio, emissor, mercado de origem, liquidez e spread. A CVM recomenda atenção a essas características.

Outra rota é comprar a ação na NYSE por uma corretora com acesso internacional. Nesse caso, observe remessas, conversão cambial, custos e obrigações aplicáveis. Consulte melhores plataformas e use a página para comparar corretoras na triagem.

A Receita Federal informa alíquota de 15% para operações comuns em bolsa e 20% para day trade, sujeitas às regras de apuração, compensação, isenções e recolhimento. Para ativos mantidos diretamente no exterior, o Banco Central exige a CBE anual quando o total externo atinge US$ 1 milhão em 31 de dezembro. Um BDR local não é a ação estrangeira direta usada nesse limite.

Antes da ordem, consulte o calendário do mercado de ações e o calendário de dividendos quando renda fizer parte da tese.

Riscos das ações de defesa e de cada empresa

O setor depende de orçamento público, prioridades estratégicas e autorizações de exportação. Mudanças políticas, investigações ou controles de segurança podem alterar contratos e cronogramas.

Programas complexos sofrem com fabricação, testes, cadeia de suprimentos e mão de obra. Em contratos de preço fixo, o aumento de custo pode ficar com a empresa, como mostram os encargos de 2025 no B-21, KC-46 e contratos da Lockheed Martin.

RTX e Boeing ainda têm exposição comercial, General Dynamics depende também da Gulfstream, e as outras três concentram clientes públicos e programas específicos. Carteira grande não garante margem. Para o brasileiro, dólar, tributos, custos, spread e liquidez do BDR acrescentam outra camada de risco.

Perguntas frequentes sobre ações de defesa

Quais ações de defesa têm BDR na B3?

As seis empresas desta lista têm BDR identificado na B3: Lockheed Martin, LMTB34; RTX, RYTT34; Northrop Grumman, NOCG34; General Dynamics, GDBR34; L3Harris, LILY34; e Boeing, BOEI34. A disponibilidade para negociação e o spread devem ser conferidos na corretora antes da ordem.

BDR de empresa de defesa é igual à ação americana?

Não. O BDR é um certificado emitido e negociado no Brasil, lastreado no valor mobiliário estrangeiro, enquanto a ação é comprada diretamente no mercado de origem. A proporção do programa, os custos, o spread e a liquidez podem diferir.

Comprar BDR elimina o risco cambial?

Não. O preço do BDR continua sensível ao valor do ativo estrangeiro e à variação cambial, além das condições locais de negociação. A operação em reais simplifica a liquidação, mas não neutraliza o dólar.

RTX e Boeing são ações puras de defesa?

Não. RTX e Boeing têm negócios relevantes ligados à aviação comercial, que podem alterar receita, carteira, caixa e risco. A participação em programas militares oferece exposição ao tema, mas os resultados consolidados dependem de outras atividades.

Carteira de pedidos alta torna a ação de defesa segura?

Não. A carteira indica trabalho contratado ou previsto, mas não garante margem, prazo nem geração de caixa. Contratos de preço fixo podem gerar perdas quando custos de materiais, produção ou engenharia superam as estimativas.

Qual é o imposto sobre operações em bolsa no Brasil?

A Receita Federal informa alíquota de 15% para operações comuns e 20% para day trade. O cálculo efetivo depende das regras aplicáveis, incluindo apuração, compensações, eventuais isenções e forma de recolhimento.

Financera Talks

Tem alguma dúvida sobre este tema? Pergunte à comunidade.

Ver tudo
Mín. 10 caracteres

Seja o primeiro a fazer uma pergunta sobre este tema.

Comparar corretoras de ações

4 opções

Corretoras verificadas e regulamentadas

Comparar corretoras

Comparar corretoras de ações

4 opções

Corretoras verificadas e regulamentadas

Comparar corretoras
Precisa de ajuda?