Tesouro Direto 2026: como investir e quais as taxas

Conceito-chave
  • Compare corretoras para investir em Tesouro Direto sem custos escondidos
  • Veja as taxas atualizadas de cada título e qual combina com seu objetivo
  • Entenda a tributação, a custódia da B3 e o resgate antecipado

O que é o Tesouro Direto

O Tesouro Direto é o programa criado em 2002 pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3 para que pessoas físicas comprem títulos públicos federais pela internet. Antes dele, só investidores institucionais conseguiam emprestar dinheiro para o Governo Federal. Hoje, qualquer brasileiro com CPF, conta em corretora e a partir de R$ 30,00 consegue investir.

Quando você compra um título do Tesouro, na prática está emprestando dinheiro para o Governo Federal financiar áreas como saúde, educação e infraestrutura. Em troca, recebe seu valor de volta corrigido por uma taxa de juros no vencimento. É o investimento considerado mais seguro do país, porque o risco de calote é o mesmo do próprio governo brasileiro.

O programa cresceu rápido: passou a marca de 2,9 milhões de investidores ativos em 2025, segundo o Balanço do Tesouro Direto (BTD) publicado pelo Tesouro Transparente. A acessibilidade dos valores mínimos e a chegada da liquidez diária explicam essa popularização.

Quem regula o Tesouro Direto

O programa é operacionalizado pelo Tesouro Nacional (STN), órgão ligado ao Ministério da Fazenda. A custódia dos títulos fica com a B3, a bolsa brasileira. A fiscalização do mercado é da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e o Banco Central do Brasil (Bacen) define a taxa Selic, que serve de referência para vários títulos.

Como funciona o Tesouro Direto na prática

O fluxo é mais simples do que parece. Você abre conta em uma corretora habilitada pela B3 a operar no Tesouro Direto, transfere dinheiro via Pix ou TED, escolhe o título, confirma a compra e pronto. A liquidação ocorre em D+1, ou seja, no próximo dia útil os títulos já aparecem na sua posição.

Entenda os três blocos que fazem o investimento direto no tesouro funcionar:

1. O emissor. O Tesouro Nacional emite os títulos e garante a recompra diária a preço de mercado. Isso significa que você pode vender antes do vencimento se precisar do dinheiro.

2. A custódia. A B3 guarda os títulos em seu CPF. Mesmo que a corretora venha a falir, seus papéis ficam em segurança, porque o registro é nominal e centralizado.

3. A distribuição. A corretora é apenas o canal de acesso. Ela executa as ordens, repassa o dinheiro e faz a interface com o app ou home broker.

Tipos de títulos e taxas atuais

O Tesouro Direto oferece cinco famílias de títulos, e o rendimento de cada um responde a uma lógica diferente. A tabela abaixo mostra exemplos com taxas vigentes em 03/06/2026, conforme a página de Rendimento dos Títulos do site oficial do Tesouro Direto. As taxas mudam diariamente conforme o mercado, então use estes números como referência inicial.

TítuloRendimento anualInvestimento mínimoVencimento
Tesouro Selic 2031SELIC + 0,0745%R$ 190,8301/03/2031
Tesouro Prefixado 202914,37% a.a.R$ 7,0901/01/2029
Tesouro Prefixado 203214,45% a.a.R$ 4,7301/01/2032
Tesouro IPCA+ 2032IPCA + 8,15%R$ 29,1215/08/2032
Tesouro IPCA+ 2050IPCA + 7,14%R$ 8,9815/08/2050
Tesouro Renda+ 2030IPCA + 7,57%R$ 19,2215/12/2049
Tesouro Educa+ 2027IPCA + 8,27%R$ 37,2815/12/2031

Tesouro Selic: a reserva de emergência

O Tesouro Selic acompanha a taxa básica de juros da economia. Ele rende todos os dias úteis e não sofre marcação a mercado relevante, ou seja, o preço unitário sobe de forma quase linear, sem grandes oscilações. Se a Selic estiver em 14,75% ao ano, é mais ou menos isso que você ganha.

É o título ideal para quem está construindo a reserva de emergência ou guarda dinheiro de curto prazo. O resgate cai na conta da corretora em D+1.

Quando faz sentido: reserva de emergência, dinheiro que pode ser usado a qualquer momento, alternativa à poupança.

Tesouro Prefixado: travar a taxa hoje

No Tesouro Prefixado você sabe exatamente quanto vai receber se levar até o vencimento. Em junho de 2026, o Tesouro Prefixado 2029 paga 14,37% ao ano e o Prefixado 2032 paga 14,45% ao ano. Existe também a versão com juros semestrais, que credita rendimentos a cada seis meses na sua conta.

O ponto de atenção é a marcação a mercado. Se você precisar vender antes do vencimento e os juros futuros tiverem subido, o preço do seu título caiu. Pode receber menos do que esperava. Pode também receber mais, se os juros caíram.

Quando faz sentido: objetivo com data definida (entrada de imóvel em 4 anos, intercâmbio em 2027) e expectativa de queda da Selic no horizonte.

Tesouro IPCA+, Educa+ e Renda+: proteção contra inflação

Essa família de títulos paga uma taxa real fixa mais a variação do IPCA, o índice oficial de inflação do IBGE. O Tesouro IPCA+ 2032 entrega IPCA + 8,15% ao ano, e o IPCA+ 2050 paga IPCA + 7,14%. Você sempre vence a inflação por uma margem definida no momento da compra.

Duas variações foram lançadas pelo Tesouro Nacional nos últimos anos:

  • Tesouro Educa+ foi pensado para custear faculdade ou intercâmbio dos filhos. Paga em 60 mensalidades a partir da data combinada. O Educa+ 2027, por exemplo, começa a pagar mensalmente em janeiro de 2027 por cinco anos.
  • Tesouro Renda+ simula uma aposentadoria privada. Você compra hoje e, a partir do ano-base escolhido, recebe 240 mensalidades (20 anos) corrigidas pelo IPCA.

Quando faz sentido: objetivos de longo prazo, aposentadoria, faculdade de filhos, preservação do poder de compra acima de 10 anos.

Quais são as taxas no Tesouro Direto

Falar de tesouro direto preços taxas exige entender que existem três cobranças diferentes: a taxa de custódia da B3, a taxa da corretora e os impostos. Cada uma incide em momento diferente.

Taxa de custódia da B3

A B3 cobra 0,20% ao ano sobre o valor investido, provisionada diariamente. Essa taxa serve para manter os títulos no seu CPF e processar pagamentos. Existe um benefício relevante: o Tesouro Selic é isento da taxa de custódia até R$ 10.000,00 de estoque. Acima desse valor, a alíquota volta a 0,20% sobre o que excede.

Taxa da corretora

Desde 2022 a maioria das corretoras zerou a taxa de administração no Tesouro Direto como estratégia para captar clientes. A B3 publica a lista oficial das instituições habilitadas e indica quais cobram zero. Vale conferir antes de abrir conta, porque algumas casas ainda mantêm cobrança em planos premium.

Imposto de Renda regressivo

O IR incide apenas sobre o rendimento, no momento do resgate ou vencimento. Quanto mais tempo você mantém o título, menor a alíquota:

  • até 180 dias: 22,5%
  • de 181 a 360 dias: 20%
  • de 361 a 720 dias: 17,5%
  • acima de 720 dias: 15%

IOF nos primeiros 30 dias

Resgates antes de 30 dias da aplicação sofrem IOF regressivo sobre o rendimento, que zera no 30º dia. Por isso o Tesouro Direto raramente compensa para prazos curtíssimos abaixo de um mês.

Exemplo de Custo Efetivo Total

Imagine R$ 10.000,00 aplicados no Tesouro IPCA+ 2032 por dois anos. Se o título render 12% no período (IPCA + 8,15% somados), o ganho bruto é de R$ 1.200,00. Sobre esse rendimento incide 17,5% de IR (R$ 210,00) e 0,40% de custódia em dois anos (R$ 80,00). O ganho líquido fica em R$ 910,00, ou aproximadamente 4,55% líquidos ao ano em termos reais sobre o investimento original. O CET varia conforme prazo e alíquota.

Como investir no Tesouro Direto passo a passo

Quem nunca investiu costuma achar que o processo é burocrático. Não é. Veja a sequência.

Passo a passo para começar

Abra conta em uma corretora habilitada

Compare opções na nossa página de melhores aplicativos de investimento. Procure corretoras com taxa zero no Tesouro Direto, app intuitivo e atendimento responsivo. Brasileiros costumam usar corretoras nacionais para isso, mas plataformas internacionais como eToro e XTB também atendem o mercado brasileiro para outros produtos.

Faça o cadastro e envie os documentos

O processo é 100% digital. Você envia foto do RG ou CNH, selfie e comprovante de residência. A análise costuma sair em até 48 horas. A corretora também faz o seu cadastro automaticamente na B3.

Transfira dinheiro para a conta da corretora

Via Pix o crédito é imediato. Por TED costuma cair no mesmo dia útil. Não existe valor mínimo de transferência, mas vale lembrar que o investimento mínimo é o preço de uma fração de título (a partir de R$ 30,00 nas opções mais acessíveis).

Escolha o título dentro do app

Compare a tabela de rendimentos. Para reserva de emergência, prefira o Tesouro Selic. Para um objetivo daqui a alguns anos, considere o Prefixado. Para proteger poder de compra no longo prazo, aposte no IPCA+. Confira a data de vencimento, a taxa e o preço unitário antes de confirmar.

Confirme a compra e acompanhe

A operação leva poucos segundos. No dia útil seguinte (D+1), os títulos aparecem na sua carteira. Você pode acompanhar a evolução do saldo no app da corretora ou no portal do investidor do Tesouro Direto.

Para quem é cada título: perfis e objetivos

Os investimentos do Tesouro Direto não têm uma resposta única melhor: existe o melhor para o seu objetivo. Veja como casar perfil com produto:

  • Iniciante construindo reserva de emergência: Tesouro Selic 2027 ou 2028. Liquidez diária, baixa volatilidade e isenção de custódia até R$ 10 mil.
  • Quem quer aposentadoria complementar: Tesouro Renda+ ou Tesouro IPCA+ com prazo longo. A vantagem do Renda+ está no fluxo automático de 240 mensalidades.
  • Pais planejando faculdade dos filhos: Tesouro Educa+, com pagamentos mensais por 5 anos a partir da data escolhida.
  • Quem busca renda extra periódica: Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais ou Prefixado com Juros Semestrais. Crédito a cada seis meses na conta.
  • Investidor que aposta na queda dos juros: Tesouro Prefixado de prazo médio. Se a Selic cair, o preço unitário do papel sobe e você pode vender com lucro antes do vencimento.

Atenção à marcação a mercado

Os títulos prefixados e IPCA+ oscilam de preço entre a compra e o vencimento. Quem precisa vender no meio do caminho corre o risco de receber menos que o esperado. O Tesouro Selic, por ser pós-fixado, sofre muito pouco com isso. Casar prazo do título com objetivo é a maneira mais segura de evitar surpresas.

Tesouro Direto vs poupança: vale a pena migrar?

A poupança rende 70% da Selic quando a taxa básica está abaixo de 8,5% ao ano. Acima desse patamar, ela paga 0,5% ao mês mais TR. Com a Selic em torno de 14,75% em junho de 2026, a poupança entrega cerca de 6,17% ao ano, sem proteção contra a inflação.

O Tesouro Selic, no mesmo período, rende quase 100% da Selic líquido de custódia. Mesmo descontando 15% de IR sobre o rendimento (alíquota para prazos acima de 720 dias), a diferença ainda é grande. Em R$ 10.000,00 aplicados por dois anos, o Tesouro Selic entrega aproximadamente R$ 2.400,00 a mais que a poupança.

Para uma comparação completa entre opções de renda fixa, vale conferir nossa página de melhores plataformas de investimento, onde estão as corretoras com melhor experiência para começar.

Cuidados antes de investir

Antes de mandar dinheiro para a corretora, vale uma checagem básica:

  • Verifique o registro na CVM. Toda corretora autorizada a operar Tesouro Direto consta no site da Comissão de Valores Mobiliários.
  • Cheque a reputação no Reclame Aqui. Avaliações abaixo de 6 ou índice de resposta abaixo de 80% acendem alerta.
  • Confira se a taxa da corretora é zero. A lista oficial do Tesouro Direto mostra quem cobra o quê.
  • Não invista dinheiro que vai usar em menos de 30 dias em outros títulos que não o Tesouro Selic, pelo IOF e pela marcação a mercado.
  • Lembre-se de declarar no Imposto de Renda. Os títulos do Tesouro Direto entram na ficha de Bens e Direitos e os rendimentos na ficha de Rendimentos Tributáveis Sujeitos à Tributação Exclusiva.

Vantagens e pontos de atenção

  • Segurança máxima do investimento (garantia do Tesouro Nacional)

  • Acesso a partir de R$ 30,00 e 100% digital

  • Liquidez diária com recompra garantida pelo Tesouro

  • Tributação regressiva favorece o longo prazo (até 15% de IR)

  • Isenção da taxa de custódia até R$ 10.000,00 no Tesouro Selic

  • Diversidade de prazos e indexadores para cada objetivo

Pontos de atenção

  • Marcação a mercado pode gerar perda no resgate antecipado de prefixados e IPCA+

  • IOF regressivo nos primeiros 30 dias reduz rentabilidade no curto prazo

  • Não conta com cobertura do FGC (mas tem garantia do Tesouro Nacional)

  • Tributação de IR sobre os rendimentos (15% a 22,5%)

  • Necessidade de declarar anualmente no Imposto de Renda

Perguntas frequentes sobre Tesouro Direto

O que é o Tesouro Direto?

O Tesouro Direto é o programa do governo federal, criado em 2002 pelo Tesouro Nacional em parceria com a B3, que permite que pessoas físicas comprem títulos públicos pela internet a partir de R$ 30,00. Você empresta dinheiro para o Governo Federal e recebe de volta corrigido por uma taxa de juros no vencimento.

Como funciona o Tesouro Direto na prática?

Você abre conta em uma corretora habilitada pela B3, transfere dinheiro via Pix ou TED, escolhe o título no app e confirma a compra. A liquidação acontece em D+1, e os títulos ficam custodiados em seu CPF na B3. Mesmo se a corretora falir, seus papéis ficam em segurança porque o registro é nominal.

Quais são as taxas no Tesouro Direto em 2026?

Existem três cobranças: (1) taxa de custódia da B3 de 0,20% ao ano (isenta no Tesouro Selic até R$ 10.000,00 de estoque); (2) taxa da corretora, que a maioria zerou desde 2022; e (3) Imposto de Renda regressivo de 22,5% a 15% sobre o rendimento, dependendo do prazo. Há ainda IOF nos primeiros 30 dias.

Qual o investimento mínimo no Tesouro Direto?

É possível começar com cerca de R$ 30,00 em frações dos títulos mais acessíveis, como o Tesouro Prefixado 2032 ou Tesouro IPCA+ 2050. O Tesouro Selic 2031 tem mínimo maior, em torno de R$ 190,00. Os valores mudam diariamente conforme o preço unitário.

Qual é o melhor título do Tesouro Direto para começar?

Para quem está iniciando, o Tesouro Selic é o mais indicado. Ele tem baixa volatilidade, liquidez diária, isenção da taxa de custódia até R$ 10.000,00 e funciona bem como reserva de emergência. Quem tem objetivos de longo prazo pode olhar para o Tesouro IPCA+, que protege contra a inflação.

O Tesouro Direto tem garantia do FGC?

Não. O Tesouro Direto não conta com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em compensação, é considerado o investimento mais seguro do país porque tem a garantia direta do Tesouro Nacional. O risco é o mesmo do próprio Governo Federal honrar suas dívidas.

Posso resgatar o Tesouro Direto a qualquer momento?

Sim. O Tesouro Nacional garante a recompra diária de todos os títulos a preço de mercado. O valor cai na conta da corretora em D+1. No entanto, títulos prefixados e IPCA+ sofrem marcação a mercado, então o valor de resgate antecipado pode ser maior ou menor que o esperado. O Tesouro Selic não tem essa volatilidade relevante.

Tesouro Direto ou poupança: qual rende mais?

Com a Selic em torno de 14,75% ao ano em junho de 2026, o Tesouro Selic rende quase 100% da Selic, enquanto a poupança paga aproximadamente 6,17% ao ano (70% da Selic). Em R$ 10.000,00 aplicados por dois anos, o Tesouro Selic entrega aproximadamente R$ 2.400,00 a mais que a poupança, mesmo descontando o Imposto de Renda.

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